Licenças ambientais para projetos de biometano triplicam em SP

O número de licenças ambientais emitidas para projetos de biogás e biometano no Estado de São Paulo mais que triplicou entre 2024 e 2025, demonstrando o avanço da transição energética e o fortalecimento de combustíveis renováveis no estado. De acordo com dados da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), o total de autorizações passou de 26 para 87 licenças no período, crescimento impulsionado pelo aumento de investimentos privados em energia limpa e pela consolidação de normas técnicas específicas para o setor. Os números incluem projetos voltados tanto para produção quanto para consumo próprio de biometano, combustível considerado estratégico para a redução das emissões de gases de efeito estufa.

O crescimento do setor está diretamente ligado ao avanço de grandes empreendimentos de infraestrutura energética sustentável. Um dos principais exemplos é a planta da OneBio, instalada em Paulínia, resultado de uma parceria entre a Edge, do grupo Cosan, e a Orizon Valorização de Resíduos. Segundo a Cetesb, a unidade possui capacidade para produzir até 225 mil metros cúbicos de biometano por dia, representando cerca de um terço da capacidade instalada no estado. Durante a inauguração da planta, o governador Tarcísio de Freitas destacou “o potencial do biometano na transição energética” (CETESB, 2026).

Além da expansão industrial, o avanço do biometano também tem sido estimulado pela modernização do processo de licenciamento ambiental paulista. Nos últimos anos, a Cetesb estruturou procedimentos técnicos e critérios padronizados para avaliar as diferentes etapas da cadeia produtiva do biometano, incluindo captação de biogás, purificação, armazenamento e transporte. Segundo o presidente da Cetesb, Thomaz Toledo, o aumento dos licenciamentos “reflete uma tendência” de crescimento sustentável do setor energético renovável (CETESB, 2026).

O uso do biometano já vem sendo incorporado por grandes empresas instaladas em São Paulo, como Natura, Embraer, Nissin Foods e Unilever, que adotam o combustível em processos industriais e logísticos como estratégia de descarbonização. Em Cajamar, por exemplo, a Natura implantou uma unidade abastecida majoritariamente por biometano, capaz de reduzir cerca de 1,3 mil toneladas de dióxido de carbono por ano. Para a diretora de Gestão Corporativa e Sustentabilidade da Cetesb, Liv Nakashima, “o licenciamento ambiental funciona como instrumento que orienta a transição energética do setor produtivo” (CETESB, 2026).

O crescimento das licenças ambientais para projetos de biometano reforça o papel de São Paulo como referência nacional em energia renovável e economia circular. A expansão desse mercado demonstra como o licenciamento ambiental pode atuar não apenas como mecanismo de controle, mas também como instrumento estratégico para incentivar inovação, sustentabilidade e desenvolvimento econômico de baixo carbono.

Referências: https://www.cetesb.sp.gov.br/cetesb/noticias/licencas_ambientais_para_projetos_de_biometano_triplicam_em_sao_paulo

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