Ondas ultrassônicas vão ajudar a conter avanço das algas no Tietê


O Governo do Estado de São Paulo anunciou a implantação de uma tecnologia inovadora para auxiliar no controle da proliferação de algas e cianobactérias no Rio Tietê. A iniciativa será conduzida pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) e integra as ações do Programa IntegraTietê, voltado à recuperação ambiental do principal rio paulista.
O projeto-piloto será implantado no Córrego do Esgotão, no município de Sabino (SP), local que apresenta histórico recorrente de florações de algas conhecidas popularmente como “nata verde”. A proposta prevê a instalação de 14 boias inteligentes interligadas, capazes de emitir ondas ultrassônicas e monitorar continuamente a qualidade da água.
A tecnologia tem como principal objetivo reduzir a proliferação das algas sem a utilização de produtos químicos e sem causar impactos negativos ao ecossistema aquático. As boias atuarão interferindo na capacidade de flutuação das algas, dificultando sua permanência na superfície da água, onde recebem luz solar para realizar a fotossíntese. Com isso, espera-se interromper seu ciclo de crescimento e diminuir a formação das manchas esverdeadas.
Além da emissão de ondas ultrassônicas, os equipamentos funcionarão como estações automáticas de monitoramento ambiental, acompanhando parâmetros como oxigênio dissolvido, pH, temperatura, turbidez, clorofila e ficocianina. O sistema também contará com estação meteorológica integrada, permitindo avaliar condições favoráveis ao surgimento das florações.
Segundo o diretor-presidente da Cetesb, Thomaz Toledo, a escolha de Sabino ocorreu devido às características específicas da região. Conforme destaca o autor da notícia institucional, “Sabino foi escolhida para receber o projeto-piloto porque reúne características que a tornam um ambiente ideal para testar e avaliar essa tecnologia em condições reais” (TOLEDO, 2026).
Com investimento aproximado de R$ 9 milhões, a iniciativa utilizará energia solar e inteligência artificial para ajustar automaticamente a intensidade e a frequência das ondas ultrassônicas de acordo com as condições observadas na água. A expectativa é que os primeiros resultados sejam percebidos cerca de 90 dias após o início da operação.
A adoção dessa tecnologia reforça os esforços do Estado de São Paulo para combater os efeitos da eutrofização, fenômeno causado pelo excesso de nutrientes nos corpos hídricos, que favorece a proliferação excessiva de algas e compromete a qualidade da água, além de impactar atividades de lazer, pesca e turismo.


