Imagem de capa: Área costeira de Trancoso, na Bahia. Foto: Ubirajara Oliveira
O avanço das mudanças climáticas pode empobrecer a vida marinha em grande parte do Atlântico Ocidental até 2100. É o que aponta um estudo publicado na revista Conservation Biology, liderado por Ubirajara Oliveira, do Centro de Sensoriamento Remoto da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), com pesquisadores de outras instituições brasileiras.
Como o estudo foi feito
Os pesquisadores analisaram a faixa costeira do Atlântico, do sul ao norte das Américas, em até 1.500 km do litoral e profundidade inferior a 150 metros. Modelos computacionais cruzaram registros de ocorrência de organismos com projeções de temperatura, salinidade, correntes marinhas e concentração de clorofila, um indicador de produtividade. A técnica corrige o viés de amostragem, separando o efeito do clima da intensidade das coletas científicas em cada região.
Os números por cenário
Onde o risco é maior
“Reduzir as emissões de gases de efeito estufa faz uma diferença enorme e evita boa parte das perdas.”— Ubirajara Oliveira, UFMG, ao Correio Braziliense
O que isso significa para o litoral brasileiro
Espécies endêmicas só existem em uma região; se ela deixar de oferecer condições, a perda pode ser global. Os autores sugerem usar os mapas de risco para priorizar o monitoramento, o planejamento do espaço marinho e a criação ou o reforço de áreas protegidas. Para empreendimentos costeiros, como portos, marinas, loteamentos, aquicultura e indústrias com lançamento de efluentes, a biodiversidade passa a pesar ainda mais nos estudos ambientais, e a ISO 14001:2026 também exige que as empresas considerem a biodiversidade na análise de contexto.
Perguntas frequentes
O que significa 69% do território marítimo em risco?
Que, no cenário de emissões altas, 69% da área costeira estudada do Atlântico Ocidental pode ter redução de mais de 5% na riqueza de espécies até 2100. Não significa que 69% das espécies vão desaparecer.
Quais regiões do Brasil estão mais expostas?
O estudo aponta o Nordeste, o Sudeste e o Sul do Brasil entre as áreas de maior risco, dependendo do grupo de organismos, com destaque para vertebrados, algas e espécies endêmicas.
É possível evitar essas perdas?
Em grande parte. No cenário de emissões intermediárias, a área com perda relevante de espécies em 2100 cai de 69% para 33%, segundo o estudo.





